Esse ano foi o ano de navegarmos em uma opção enorme de tablets. O Eee Pad Slider chegou como uma aposta da Asus nesse mercado, oferecendo preços (um pouco mais) baixos e também a opção de um teclado físico, para diferenciá-lo do mesmo sistema Android de todas os outros.
Design
Entre a atual mesmice dos tablets com Android, é no design que o Slider se sobressai. Para aqueles que reclamavam do teclado na tela de toque, o slider funciona como um celular com teclado QWERTY, já que também possui um. Basta empurrar a tela que ele se arma em um esquema tela/teclado, apresentando um pequeno mas completo teclado físico, ideal para escrever grandes textos. Por causa disso, acaba sendo muito pesado, com quase um quilo, perdendo um pouco de sua portabilidade.

(Foto: Stella Dauer)
No visual em geral ele também tenta se diferenciar. Assim como seu irmão Transformer, ele é da cor marrom acobreado, dando um ar bem elegante, exceto pela faixa prateada brilhante e fosca e pela espessura, que é de 1,7 centímetros. As bordas prateadas e a traseira são emborrachadas. Suas laterais são arredondadas, tirando um pouco o aspecto quadrado que o deixaria parecido com outros modelos de tablets.
Quanto a entradas e botões, temos muitos. Em cima fica a conexão de tablets, utilizada para recarga e para a conexão de acessórios, juntamente com uma HDMI e a entrada para abrir o teclado. Abaixo fica uma grande saída para som externo. No lado esquerdo encontramos a entrada para cartões microSD, o botão reset, volume, energia e microfone. Na direita ficam a conexão USB convencional e a entrada para fones. Atrás ficam apenas os pezinhos de borracha e a câmera e na frente, junto à tela, ficam o sensor de luz e a câmera frontal.
Tela
O ânuglo da tela quando aberta com o teclado é muito bom, não machuca o pescoço. A tela dele é bem semelhante a todas os outros, uma tela de LED multitouch com 10.1 polegadas, trazendo definição de 1280 x 800 pixels. Ele também tem tecnologia IPS para um ângulo de visão de até 178º sem perda de qualidade e gorilla glass, tecnologia que previne riscos.
No geral, é uma tela bem luminosa e grande, ótima para assistir a vídeos ou trabalhar. Não é muito boa para leitura, como veremos mais a seguir.

De ladinho (Foto: Stella Dauer)
Hardware e processamento
O Slider, assim como vários outros tablets Android similares, trabalha com processador de 1GHz NVIDIA Tegra 2 AP20H Dual Core e mais 1GB de RAM. Ligue quantos aplicativos quiser, execute vídeos, músicas, aplicativos, navegador, tudo. Ele continua firme e forte. A navegação não é fluida e suave como a do iOS, mas isso é problema de sistema, e não do processamento.
Em matéria de sensores, está bem servido. Temos sensor de gravidade, luminosidade, giroscópio e compasso. Em conexões vêm quase tudo o que precisamos: Wi-Fi 802.11 b/g/n, Wi-Fi hotspot, GPS e Bluetooth 2.1 que funciona para transferência de arquivos e também para acessórios como fones e teclados. O Wi-Fi é forte e o GPS é rápido. Infelizmente, talvez para manter o valor mais baixo, a Asus resolveu não inserir o 3G em sua linha de tablets. É o defeito mais aparente desse aparelho.
Por possuir um teclado embutido, sua bateria dura um pouco menos do que estamos acostumados a ver em outras tablets com Android. Com pouco uso ela durou aproximadamente 8 horas, mas com as conexões sem fio ligadas e uso de internet, esse número caiu para 6 horas, mais ou menos.

Traseira emborrachada, mas ainda enche de dedos (Foto: Stella Dauer)
Câmera
A câmera frontal, de 1.2 megapixels, é boa para vídeo conferências em aplicativos como o Gtalk, por exemplo, e até para fotos, pois se mostrou bem luminosa. A câmera traseira, apesar de não possuir flash, é razoável para fotos e vídeos, já que possui sensor de 5 megapixels e faz gravações em HD.
Por não possuir botão dedicado, é preciso fazer fotos diretamente pela tela. Pelo peso já é complicado fazer fotos com esse tablet, imaginem fazer o foco e tirar fotos pela tela com 10.1 polegadas… ainda assim, a interface de fotos do Android 3.0 é bem legal.
Sistema operacional
Na versão 3.2 percebe-se que absolutamente tudo é pensado para grandes telas, a partir de 7 polegadas. Menus otimizados, multitarefa que aproveita a tela, aplicativos que mantém o tamanho normal dos botões… Não são muitos os widgets, mas os existentes têm formatos diferentes e variados, deixando a home “utilmente bagunçada”. Há widgets para o email, YouTube, sites, agenda…
Todos os aplicativos do Google no aparelho estão com interface melhorada. Fundo escuro e vídeos laterais para o YouTube, uma interface completa para o Gmail, que mantém as categorias na lateral, as mensagens no meio e ações na parte superior, em uma interface delicada e simples. O Gtalk segue a linha do Gmail e mantém os contatos na esquerda, deixando o resto para a conversa.

(Foto: Stella Dauer)
O Honeycomb é mais discreto, usa mais cores escuras para não agredir os olhos do usuário. Ele também se aproveita da enorme tela e passa a usar a parte inferior da tela como uma faixa de navegação, como a do Windows. Nela ficam avisos do sistema, interações com aplicativos, navegação pelo menu e informações de rede, bateria, hora, etc. Botões extras foram colocados em janelas e menus para aproveitar mais o espaço. Tem muito mais cara de tablet.
Para quem está bem acostumado com o Android e seus botões padrão na parte inferior do aparelho vai demorar um pouquinho para lembrar que tudo aquilo foi resumido a três pequenos botões no canto inferior: voltar, home e multitarefa. Mas há suporte a Flash.
Usabilidade
A usabilidade é interessante, ainda mais com o teclado armado. Navegar pela tela de toque com as mãos atrás da tela sem ter que segurá-las dá um certo conforto para uso em cima da mesa. O teclado é bem aperto, mas resolve o problema muito bem, ainda mais depois que você se acostuma com o pouco espaço e digita mais rápido ainda.
O peso dele pode incomodar, mas a facilidade que um teclado pequeno traz é uma inovação nas tablets. É até um pouco retrógrado colocar um teclado físico em um tablet, mas acreditamos que sempre haverá público para tudo, e no meio de um mar de aparelhos iguais, a Asus aparecer com algo tão inusitado pode dar certo.

Entrada para fones e conexão USB (Foto: Stella Dauer)
Por ser grande, é às vezes complicado segurá-lo deitado na cama, ainda mais na vertical. Não é muito indicado para quem gosta de ler em viagens ou antes de dormir, pode acabar com dor nos braços.
Uma boa do Slider é sua conexão USB, aquela normal, mesmo. Fãs da Apple acharão essa feature uma besteira, dirão que está tudo na internet, que uma conexão proprietária é tudo o que precisam. Mas nem todo mundo gosta das restrições da Apple, e uma conexão USB até que veio bem a calhar.
Deitar na cama e simplesmente plugar seu pen drive cheio de filmes na tablet, e ficar curtindo um vídeo até dormir é prático. Pegar fotos e outros arquivos de amigos, também. É só pedir o dispositivo de armazenamento emprestado e facilitar a vida de todo mundo.
Aplicativos
A Asus recheou o Slider de aplicativos, além dos já tradicionais da Google. Possui a suíte Polaris Office, um ano ilimitado para o Asus WebStorage – compartilhamento na nuvem –, gerenciador de arquivos, Kindle, Zinio, PressReader e outros da Asus para ajudar no dia a dia, como o My Net para o protocolo DLNA, o MyLibrary para livros e o MyCloud para funcionar com o WebStorage.
Uma coisa que não agradou foi a necessidade de um aplicativo chamado Asus Sync para a conexão da tablet com o computador. O que era uma simples tarefa de conexão, torna-se uma dor de cabeça.
Aplicativos são o calcanhar de aquiles do Android 3.0. Enquanto que em um tablet com 7 polagadas temos aplicativos aumentados, a tela de alta definição do Slider não consegue fazer o mesmo com os aplicativos, e por isso precisa de apps otimizados para sua interface e para sua tela.
Isso resulta em pouco mais de 100 aplicativos disponíveis para a tablet, deixando os outros quase inutilizáveis, já que ficam em um cantinho da tela ou espalhados por ela de forma feia. Alguns até se encaixam “marromenos”, mas percebe-se na hora que não são compatíveis. E não tendo o mesmo poder que a Apple tem em desenvolver rapidamente para seus produtos, a Asus e todos os outros fabricantes só podem ficar olhando e esperando.

(Foto: Stella Dauer)
Algumas empresas brasileiras já estão se mexendo. Saraiva, Cultura, Folha, Terra e Abril são alguns exemplos de marcas que já possuem aplicativos otimizados para o Honeycomb. São majoritariamente empresas grandes que vendem conteúdo e já viram que tablet é o futuro.
Ele vem com todos os aplicativos normais do Android: Google Search, Maps, Gmail, YouTube, Google Talk, visualizador de documentos, vídeos, um editor simples de vídeos e navegador. O navegador é bem completo e possui bookmarks e abas que funcionam como um aplicativo de desktop. Já vem instalado o Flash Player 10.1, que pode ser atualizado para o 11. Isso permite que você navegue em qualquer site que desejar, sem problemas.
Música e mídia
Apesar de prometer som SRS de alta qualidade com máxima resposta dos graves, não é bem o que acontece. O som peca justamente nos graves, faltando um pouco de ressonância no conjunto. Nisso eu me refiro ao som externo, pois o interno, com fones, é muito bom.
Ele reproduz mídias muito bem, e o pé que o teclado forma é bem útil. O som tem estéreo bom, apesar do defeito dos graves. As cores são bem acertadas, e por ser widescreen, vídeos em alta definição são o ideal, ainda mais para as TVs, já que o Slider tem conexão HDMI – mas não vem com o cabo.

Conexão especial de tablets (Foto: Stella Dauer)
E para guardar todas as músicas e vídeos, além de aplicativos, o Slider vem com 16GB de armazenamento interno, além de uma porta para cartões microSD de até 32GB. E como já explicamos, há também a possibilidade da inserção de dispositivos como pen drives, aumentando esse espaço.
O que vem na caixa
Há uma supremacia minimalista na caixa das tablets, e com o Slider não é diferente, apesar de ser gigante. Além da caixa e do aparelho encontramos o cabo USB, que também serve no carregador de tomada incluso.
Para quem é
Por um preço não tão elevado a Eee Pad Slider só peca por não possuir 3G. Seu grande destaque é o teclado que aparece ao se deslizar a tela, facilitando para escrever textos. Traz o sistema Android 3.0 e até conexão HDMI. Usuários que precisam muito de um teclado sempre à mão para digitar, vão encontrar nesse modelo uma opção interessante.
Asus Eee Pad Slider SL101
Preço: R$1478
Site: apetrexo.com.br
Informações
Tela: 10.1
Resolução de tela: 1280×800
Sistema operacional: Android 3.2
Processador: NVIDIA® Tegra™ 2 1.0GHz dual-core
Memória RAM: 1GB
Armazenamento: 16GB
Conectividade: Wi-Fi, Bluetooth 2.1, USB, GPS
Dimensões: 27,3 x 18 x 1,7 cm
Peso: 0,96 kg
Autonomia de bateria: 8 horas
Itens inclusos: aparelho, cabo USB, carregador