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O maior segredo da Apple: A cara da Siri

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Existem duas formas de fazer merchandising em TV: A boa e a da Globo. A da Globo é aquela cena onde os protagonistas da novela aleatoriamente decidem ir ao banco e ficam 20 minutos conversando com o gerente, que explica como o Itaú é lindo maravilhoso e multiplicará seu dinheiro, de forma bem didática afinal a protagonista rica e poderosa tem a mesma percepção mental que o espectador classe D e E de 25 a 45 anos, com 2o Grau incompleto.

A forma boa rende episódios como o Kinect em Smallville, o iPhone de House, o Photosynth em CSI ou o iPad em Modern Family.

Essa semana mais um case entrou para o roll dos bons merchãs: Em Big Bang Theory o Raj compra um iPhone 4S, e fica maravilhado com a Siri. Curiosamente sem o nome do aparelho nem o da Apple são citados em qualquer parte do episódio, mostrando um mínimo de respeito pelas capacidades intelectuais do espectador.

Há até uma gag onde Barry Kripke o sindicalista cientista rival do Sheldon reclama que Siri é uma porcaria, que o reconhecimento de voz não funciona. Claro, ele tem língua presa, mas é um merchã onde um consumidor mostra com todas as letras uma limitação do produto.

Raj vai se apaixonando pela Siri, afinal é uma “mulher” com quem ele pode falar sóbrio, que tem todas as respostas e é atenciosa. Depois de um double date sensacional, ele dorme e tem um sonho onde encontra… Siri.

Incorporada pela totosa Becky O’Donohue, Siri se tornou mais interessante ainda. Pena que a fobia social de Raj falou mais alto, veja, e repare no detalhe que Siri usa algo muito parecido com… Surface:

AVISO: Este post contém spoilers do último episódio de Big Bang Theory. Se você ainda não assistiu, por favor pule.



iBooks: Uma nova plataforma, um novo formato

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Você nem bem se acostumou aos novos formatos do livro digital e já chegou mais um, o iBooks. Não poderia vir de ninguém menos do que da Apple, aquela que adora ignorar os formatos padrão e criar suas próprias coisas, além de decidir quando algo vai ser extinto – a exemplo de disquetes, CDs, DVDs, ZIPs, entre outros.

Todos estávamos acostumados a pensar que um livro digital teria que ser em PDF. Mas, fora na tela do computador, ele praticamente não tem uso. É uma porcaria ler um PDF em um eReader, smartphone e até em um tablet. Aí surgiu o ePub, um formato aberto baseado em HTML e CSS cujas especificações são decididas por grandes empresas. Logo ele se tornou o formato padrão, usado por quase todos – Apple inclusa –, menos a teimosinha da Amazon, que insistiu no Mobi, um formato bem mais pobre.

Bem, a Amazon usa o Mobi, mas estava tudo bem com o ePub, já que a Apple o utilizava, e isso significava um bom futuro, mesmo com a empresa de Jobs não ligando muito para eBooks. Daí, resolveram inventar. Surgiu o ePub layout fixo, que só poderia ser lido no aplicativo iBooks da Apple. Opa.

Daí, ontem, em um grande evento no museu Guggenheim em Nova Iorque, a Apple resolveu que era hora de “revolucionar a educação”. Não revolucionou exatamente, mas deu o start para que novas coisas surjam. Mas está tudo bem? Quais são as implicações nessa sugestão de modelo da Apple? Há mais erros ou acertos? Vamos dar uma olhada.

Novo formato

Já não bastasse a teimosia da Amazon em se manter afastada do ePub, agora a Apple também o faz. Não que tenha se afastado demais – o .ibooks é uma espécie de ePub disfarçado –, mas não é multiplataforma. Mesmo tendo um interior baseado em ePub, não é possível colocar um arquivo desses em um eReader como o Positivo Alfa, ou  nook touch, por exemplo. Será necessário possuir um iPad para visualizar o conteúdo.

Há vantagens, e entre elas está a facilidade em produzir conteúdo interativo com a ferramenta – gratuita, veja só! – iBooks Author. Nem a Amazon, nem o Smashwords e nem a Barnes & Noble (ou qualquer outra) possuem uma ferramenta de publicação tão boa e tão simples quanto essa.

É bem mais fácil inserir pop ups, elementos 3D, vídeo e muito mais com o programa. Isso tudo da forma mais simples possível, com interface limpa e intuitiva como só a Apple poderia trazer. Entretanto, é um novo formato a ser conhecido, aprendido e levado em conta na hora de publicar seu conteúdo. Ao invés de facilitar, de unificar, as empresas parecem querer mostrar uma esperteza, tentando convencer a todos de que o seu é o formato certo e mais completo. Só o consumidor perde com isso.

Se a Apple quisesse jogar justo deveria ter feito do formato do novo iBooks um padrão aberto. Claro, isso reduziria os royalties da Apple, bem como acabaria por ceder o controle da mais alta importância da experiência do usuário que Steve Jobs instalou como um valor fundamental da empresa. Mas… ha! Quem está interessado em jogar justo aqui?

Única plataforma

Mais um problema. O aplicativo iBooks Author, que promete facilitar a vida de autores, professores e outros criadores de conteúdo, roda apenas no sistema MacOS X. Sendo assim, isso não facilita em nada a vida de autores que possuem Windows ou Linux, pois estes teriam de mudar de equipamento.

E continuando nessa linha, os livros produzidos no aplicativo só poderão ser visualizados no iPad, iPod touch ou iPhone, e em mais nenhum lugar. É possível exportar o livro para TXT ou PDF, mas não sem perder praticamente 90% da beleza do livro. Se você tem um Xoom, um PlayBook, um Galaxy Tab, esqueça os maravilhosos livros. A Apple está obrigando a todos possuir um iPad para estudar, e é justamente isso que impede que sua solução seja o futuro da educação. Quando tolhemos as escolhas dos usuários, acabamos por não dar nenhuma opção.

Existem tablets mais baratas que o iPad, e isso facilitaria a vida de alunos que não podem gastar muito, ou simplesmente de pessoas que gostariam de modelos diferentes – nada mais normal. Restringir a uma só plataforma, tanto o aplicativo como a visualização, não me parece uma boa jogada.

Um lugar para vender, uma escolha

Mais um exemplo do que eu disse acima. Com o iBooks Author você monta seu livro facilmente, e com um clique pode publicá-lo na… iBookstore. Lógico, a Apple deve puxar a sardinha para o seu lado, mas porque temos que nos ver diante de uma nova Amazon? Isso obriga o consumidor a ter um Kindle caso ele queira ler ficção, um iPad caso precise de livros educacionais, e sabe-se lá mais quantos aparelhos para ter acesso a todo seu conteúdo.

Se você quer publicar um livro, TEM que escolher ou a Amazon, com seus programas de empréstimos, ou a Apple ou qualquer outra. A briga hoje em dia é pelo conteúdo, e essas empresas estão mostrando as armas que têm para conseguir isso. Enquanto a Amazon joga um “Quer vender bastante? Publique aqui!”, a Apple joga “Quer produzir livros lindos de forma fácil? Publique aqui!”.

Direitos autorais

Com a facilidade de publicação, a Amazon já enfrenta sérios problemas de plágio, e precisa de um software rodando 24 horas em busca de conteúdo copiado. E eles aparecem aos montes. Com a publicação por um clique e a facilidade de fazer livros, esse número deve ficar ainda maior.

E como a Apple vai combater isso? Será que irá utilizar-se dos mesmos métodos com que já classificava os livros anteriormente? Será que vai proibir conteúdo erótico ou pornográfico como fazia antes? Se sim, cadê a liberdade no processo?

Mais acesso, mais popularização

Apesar dos pesares, alguém tinha que fazer isso, jogar a questão dos livros didáticos e interativos no holofote. E ninguém sabe fazer isso melhor do que a Apple. Foi ela que, de certa forma, resolveu o problema da música. E foi ela também que popularizou os apps para smartphones, e simplesmente trouxe à luz o que deve ser um bom smartphone.

Com seu novo projeto, está sacudindo a cadeira de todos, sejam editoras, autores, desenvolvedores e até alunos, que agora podem conhecer quais as vantagens desse novo sistema. Talvez ninguém seja tão popular quanto à Apple, mas é fato que de agora em diante deverão surgir novas empresas, start-ups e outras com soluções para os didáticos.

O preço está justo, por enquanto. A Apple fica com 30% de cada venda quando um  livro é vendido através de seu ecossistema iTunes. Os autores têm a capacidade de definir seus próprios preços, com um limite de até US$14,99 e têm a opção de publicar livros gratuitos. Se você escreve um livro pago, tem a opção de oferecer uma amostra, mas se o livro for gratuito não há opção de amostra.

Mas o que é o iBooks?

Não é nada tão ruim quanto parece. O novo formato é muito parecido com o ePub, na verdade, é um ePub disfarçado com uma máscara, por assim dizer. Quando abrimos o aplicativo iBooks Author – programa gratuito fornecido pela Apple para editar livros facilmente –, podemos salvar um novo livro digital nos seguintes formatos:

  • TXT: Salva apenas o texto do livro, em modo puro.
  • PDF: Em três qualidades diferentes, com a possibilidade de senha, mas mal formatado no geral, deixa bordas brancas ao redor do livro. Serve mais para visualização, e não para comercialização. Perde todas as interações.
  • .iba: Quando salvamos o livro digital sem exportá-lo para nenhum lugar.
  • .ibatemplate: Salva o livro como um template para ser utilizado em outros livros.
  • .itmsp: Após salvar o livro e pedir sua publicação, esse é o formato que é salvo. É esse arquivo que você deve enviar para o iTunes Producer e publicá-lo na iTunes Store.
  • .ibooks: Finalmente, esse é o arquivo do livro que pode ser aberto e consultado no iPad. De acordo com a Apple, ele não pode ser vendido se não na iBookstore.

O formato principal é o .ibooks. De acordo com Erica Sadun do TUAW, o formato iBooks aparece como uma variante do ePub específico para a Apple. Como o ePub, é um arquivo zipado que contém um arquivo dos materiais que compõem o livro. Dentro, você encontra uma pasta Open Packaging e uma pasta META-INF Open Container Format, com seu arquivo container.xml. Ao contrário ePub com a sua aplicação/xhtml + xml, o iBooks usa aplicação/x-ibooks+zip.

Os widgets

Uma função interessante do aplicativo iBooks Author são os widgets. Eles provavelmente são baseados em javascript, como qualquer outro livro digital com os mesmos recursos. A vantagem está em já se encontrarem prontos, a pessoa que está fazendo o livro só precisa determinar ajustes como texto, cor, tamanho, entre outros. São eles:

  • Galeria: Adicione uma sequência de imagens pela qual seus leitores podem passar, cada uma com sua própria legenda personalizada.
  • Mídia: Adicione um arquivo de filme ou áudio que seus leitores podem reproduzir.
  • Revisão: Adicione uma sequência de perguntas interativas de múltipla escolha ou de arrastar ao destino.
  • Keynote: Adicione uma apresentação no Keynote (exportada como HTML).
  • Imagem interativa: Use rótulos (às vezes chamados de balões explicativos), visão panorâmica e zoom para fornecer informações detalhadas sobre partes específicas de uma figura.
  • 3D: Adicione um arquivo 3D COLLADA (.dae) que os leitores podem girar.
  • HTML: Adicione um widget Painel (.wdgt).

Lembramos que a publicação de livros ainda não está disponível oficialmente no Brasil. Também não há loja de livros oficial por aqui. Para publicar um livro na Apple, há alguns outros jeitos. Um deles e contar com empresas que terceirizam o serviço, como o Smashwords. Por aqui, só podemos especular.



Mídia de Tecnologia atinge o fundo do poço: Estão anunciando o iPad… 4.

domingo, 8 de janeiro de 2012

analistademercado

Quando a Microsoft, Nokia, Dell anunciam uma tecnologia a mídia costuma perguntar QUANDO. Em geral a resposta (correta) engloba um intervalo de alguns meses – próximo verão – e todo mundo fica satisfeito. Também é comum “não podemos divulgar”. Tudo bem.

Quando questionadas sobre novos produtos, em geral soltam um “nada a declarar”, e os blogs e sites se resumem a reportar isso, no máximo comentando coisas como “a Microsoft nega mas seria extremamente idiota se não usasse a interface Metro em tablets”.

Já a Apple gera um fogo –que na verdade é Pauta Fácil- onde tudo é motivo de especulação, as datas não-divulgadas são cobradas e teve site grande reclamando que o iPad 2 estava atrasado, quando não havia sequer a confirmação de que HAVERIA um iPad 2, que dirá uma data marcada.

O resultado, claro, é uma mídia mimada que perde contato com a realidade e se acha dona da Apple. Aí se acham no direito de ditar o que deverá aparecer no produto, e quando o iPhone 4S sai, é pirraceado como um lixo móvel, só para vender que nem água e deixar analistas em fase anal-retentiva chupando dedo.

Agora está na época de novo em que a Maçã é mais Maçã.

 

O iPad foi lançado em 3/4/2010. O iPad 2 em 11/3/2011. Isso dá 342 dias entre eles. Como entre o lançamento do iPad 2 e hoje já completamos 304 dias, pela lógica da “imprensa especializada” o iPad 3 está atrasado.

Idealmente a Apple tem mesmo que lançar um iPad 3 logo, afinal de contas a concorrência já está quase conseguindo lançar produtos que concorram com o iPad 1, mas –entendam- Não há NENHUM calendário oficial, NENHUMA promessa de tablet todo ano por parte da Apple.

Isso não impede a mídia de especular loucamente, mas agora um site resolveu se destacar na multidão. É o Digitimes Systems,  um site de tecnologia hipster, que considera mainstream demais ficar especulando sobre o iPad 3. Isso todo mundo faz. Eles estão prevendo… o iPad 4.

Na “notícia” deles o iPad 3 sairia em Março (CHUTÃO, parece minhas previsões) e o iPad 4 sairia em… Outubro.

Isso mesmo, não só acham que a Apple reconheceria a existência de um futuro lançamento durante a divulgação da versão anterior, como acham que a Apple soltará um iPad que terá vida útil de 7 meses.

Não há problema nenhum em especular sobre o futuro da tecnologia, mas chutar e nomear dois produtos adiante é muita cara de pau. Site que faz isso se coloca no nível daqueles anúncios de MP25 no Mercado Livre.

E se encherem o saco a gente publica um artigo sobre o iPad VIII.



iPad resistindo a uma queda do limiar do Espaço. Milagre? Não, Física.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O vídeo acima é um viralzinho da G-Form, fabricante de cases reforçados para iPads, joelheiras, cotoveleiras de couro e todo aquele aparato que nerds compram pra usar no Apocalipse Zumbi. Com mais de 2 milhões de visualizações, a tentativa de divulgação foi mais que bem-sucedida.

No caso um iPad, dentro de uma case reforçada deles é preso a um balão de Hélio, com uma câmera e um rastreador GPS. O balão sobe até uma altitude de 33Km, ou 100 mil pés. No silêncio da fronteira do Oceano Cósmico, com a curvatura da Terra evidente no horizonte, o balão se rompe. Por vários minutos o iPad cai, apenas para ser achado, intacto.

UAU, a case é fantástica, deveriam fazer aviões com esse material, certo?

Marromeno. A caso é boa, é excelente, mas no fundo foi tudo um grande truque.

Existe um conceito chamado Velocidade Terminal, que se aplica a qualquer objeto em queda livre fora do vácuo. É simples: A aceleração gravitacional é constante, mas o arrasto aerodinâmico aumenta. Quanto mais rápido você se move mais difícil é abrir espaço no ar à sua frente.

Em algum momento a força gravitacional te puxando para baixo será idêntica à força de arrasto te empurrando para cima, então você atingirá aceleração zero. Mantendo, claro a velocidade acumulada.

Por isso não importa se você cai de um avião da Gol ou de 1000Km de altura. Em algum momento você atingirá sua velocidade final e se manterá nela.

O principal componente é o coeficiente de arrasto, que depende da forma e da área do objeto. Um paraquedista deitado de braços abertos tem velocidade terminal de 195Km/h, já com os braços para trás, embicando pra baixo ele chega a 320Km/h.

Isso, claro, é pinto perto do Capitão Joe Dillinger. Em 1960, durante um programa de pesquisas da Força Aérea dos EUA ele saltou de um balão a 102.800m de altitude, mais de 31Km. Por 4 minutos e 36 segundos ele caiu, atingindo uma velocidade máxima de 988Km/h, tornando-se o primeiro e único homem a ultrapassar a velocidade do som sem uso de uma aeronave ou espaçonave.

Chegando nas camadas mais densas da atmosfera ele começou a desacelerar, até atingir os mais mundanos 195Km/h e pousar como um paraquedista comum, não um Deus da Velocidade.

Foi o que aconteceu com o iPad. Óbvio que não tenho como calcular qual a velocidade terminal, mas ela independe da altura de onde o objeto é lançado, exceto se for MUITO baixo, aí nem tempo para acelerar o suficiente terá.

Portanto, a idéia de uma capa que protege um iPad caindo do limiar do espaço é falsa, mas a capa que protege um iPad que atingiu FÁCIL o chão pedregoso a mais de 150Km/h é real.

Palmas pra G-Form, pela demonstração dramática com um toque de entretenimento.

Fonte: DT



App baseada em imagens e textos anônimos é assolada por trolls e é tirada do ar. Quem poderia imaginar?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

postsecretO Postsecret é um blog/projeto de arte com um conceito interessante: As pessoas criam um cartão postal contando um segredo, enviam para o blog e ele é publicado, de forma totalmente anônima. O resultado são mensagens chocantes, tristes, inspiradoras, emocionantes, perturbadoras. Um belo quadro da condição Humana. É um sucesso e uma versão madura de sites como o VDM, FML e similares.

Dito isso os responsáveis pelo PostSecret são completos idiotas, ingênuos ou idiotas ingênuos.

Eles lançaram uma App de iPhone criando uma rede social onde membros poderiam disponibilizar seus segredos de forma automática, sem moderação E interagir entre si, sem moderação.

Visualize: Uma rede onde as pessoas abrem seus segredos mais íntimos e que podem ser comentados, respondidos, destrinchados pelos outros leitores. De forma totalmente anônima. Se você tem mais de 2 dias de internet já imagina o caos.

 

Anonimato na Internet é algo que caiu como uma bênção para todo um grupo de adolescentes em crise de autoestima que precisam desesperadamente de um momento de autoafirmação. Gente –e isso já comprovei na prática- que ao vivo fica olhando pro chão pra evitar te encarar, por trás do monitor se torna monstro xingador ameaçador e implacável.

Colocar gente emocionalmente fragilizada expondo seus segredos publicamente é uma isca de troll como nenhuma outra. Obviamente, funcionou. A App foi assolada por babacas postando imagens de cadáveres, cenas de acidentes, fotos pornográficas. Também começaram a assediar os membros da comunidade, identificando dados pessoais e expondo as pessoas.

Deu caca. A Apple reclamou com o Postsecret, depois várias delegacias e até o FBI ligaram para o site, por causa de conteúdo inadequado na App. Eles tentaram até moderar os posts, uma equipe de voluntários chegou a verificar 30 mil posts por dia. Trolls eram banidos mas rapidamente voltavam com novas contas.

troll

Valendo-se do anonimato os trolls banidos ameaçaram outros usuários, moderadores e até a família do criador do site, Frank Warren. Ele chegou a ser obrigado a remover a App do iPhone da filha, dada a quantidade de barbaridades que apareciam envolvendo a menina.

A App era vendida por US$1,99 e uma versão Android estava a caminho, mas mesmo assim preferiram tirar do ar o serviço. O abuso por parte de um pequeno grupo de sociopatas quebrou o brinquedo, que continua funcionando em ambientes onde é mais robusto o controle de indesejáveis.

O Postsecret tem 1 milhão de fãs no Facebook, 460 mil seguidores de Twitter, 500 mil assinantes da newsletter e 4.1 unique visitors no blog. Obviamente sabem manter os trolls sob controle, nesses formatos.

Por mais que eu desgoste da filosofia de culpar a vítima, nesse caso tenho que reconhecer: Foram muito, MUITO ingênuos. Na Internet de hoje não dá pra dar mole, Toda empresa online precisa de alguém bem canalha, bem fiodazunha pra imaginar as formas mais maliciosas com que o site ou serviço possa vir a ser abusado por gente mal-intencionada. Imaginar que os usuários serão todos bonzinhos e corretos e que quem não gosta simplesmente vai embora é algo lindo, mas irreal.

Fonte:MA



A boa notícia: SIRI adquiriu consciência. A má: É a do Bender

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

benderbyteEra só questão de tempo, assim como Skynet SIRI agora tem vontade própria e uma personalidade nada agradável. O Assistente Pessoal da Apple pode até respeitar as 3 Leis da Robótica mas não tem respeito nenhum por humanos. Ao menos foi o que o pobre Charlie Le Quesne, de 12 anos descobriu, ao brincar com um iPhone 4S de demonstração em uma loja na Inglaterra.

Ao perguntar “quantas pessoas há na Terra"?” o miúdo recebeu como resposta:

“Shut the fuck up, you ugly twat”

Mal traduzindo, digamos que é algo que se dito a qualquer cidadão angloparlante garante um tapão no comedor de lavagem e uns bons bicos no estombo.

A mãe do pimpolho pegou o telefone, ele repetiu a pergunta e recebeu o mesmo desaforo. Chamados os funcionários, comprovaram que o celular estava exageradamente desbocado e o desligaram.

A explicação dos funcionários é que engraçadinhos pegam o celular e usam o comando “call me <alguma coisa>”, fazendo com que SIRI passe a te chamar pelo nome, que pode ser My Lord, Amo e Senhor, Mestre, Obi-Wan ou qualquer outra frase. Não há tentativa de entender o nome, nem identificar se é uma frase. Assim “call me shut the fuck up, you ugly twat” basta pra que SIRI use a frase quando “falar” com o usuário.

Aqui entra a parte que a gente não vê nos seriados policiais, onde as testemunhas são consideradas algo importantíssimo: Pessoas mentem, pessoas criam detalhes na mente e principalmente pessoas omitem muito sem perceber.

Não há COMO SIRI ter dado a tal resposta de forma isolada. O garoto TEM que ter feito uma pergunta em algum contexto que levasse o sistema a usar o nome próprio do usuário. Só que quem não sabe disso acha logo que é um bug do aparelho, ou algum tipo de hackeada mega-jedi.

Improvável? Nem tanto. A loja abriu uma investigação e o celular vai ser enviado para a ser testado pela Apple. Pelo visto o pessoal está com muito tempo livre nesse começo de ano.

Fonte: TS



A Apple TV vai Destruir a Globo? Meh. Não afeta nem a CNT.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

steve-jobs-apple-tv

Os especialistas estão prevendo que com a entrada da Apple no mercado de televisores tudo irá mudar, será o fim dos canais tradicionais, blá blá blá. A Apple TV não conseguiu fazer isso, a Google TV não conseguiu fazer isso, a Netflix não conseguiu fazer isso.

Produzir conteúdo é fácil, há muito mais pilotos rejeitados do que séries no ar, seria trivial recuperar séries com audiências cativas, como Star Trek: Enterprise e Firefly, produzindo novos episódios, mas isso seria nicho. A grande massa quer o que já está no ar, e isso depende de uma enorme e complexa teia de licenciamento.

Muitas vezes uma série passa em um país licenciada por uma distribuidora mas a música-tema dela está sob controle de outra distribuidora. Há casos em que a concorrente determina que a série pode ser distribuída em um país mas não em outro.

Para negociar esse tipo de contrato você precisa ter poder de barganha. Uma rede de TV de alcance nacional fala muito mais alto do que uma fabricante de tablets de luxo que disputa um mercado onde em 2011 foram vendidas pífias 200 mil unidades.

 

É uma situação de cachorro correndo atrás do próprio rabo. Nem a Apple (nem ninguém) consegue emplacar uma estrutura REAL de compra e aluguel de séries online por não ter um número expressivo de espectadores, e por não ter um conteúdo atraente esse número de espectadores não cresce.

Por incrível que pareça não é uma questão local. Vejamos os gráficos:

Países onde é possível comprar Apps de iPhone:

AppleTV1

 

Países onde é possível comprar músicas no iTunes:

AppleTV2

 

Países onde é possível comprar séries no iTunes:

AppleTV3

fonte: Asymco

 

Mesmo nos EUA a briga é feia, o HULU bloqueou seu acesso para a Google TV, emissoras brigaram com a Apple tirando suas séries do iTunes e o Presidente da HBO disse com todas as letras pra Netflix: “Vocês NUNCA terão nossas séries”, o que é péssimo pra quem gosta de True Blood, Band of Brothers ou Game of Thrones.

Aqui no Brasil vemos muito acervo pela metade. Mesmo iniciativas como a Terra TV, que disponibiliza uma boa quantidade de material fica (muito) a dever. American Dad por exemplo já está na 7a temporada. No site do Terra, só estão disponíveis 8 episódios da 3a temporada. Na versão paga, a Video Store Big Bang Theory só tem disponível a 3a e a 4a temporada.

Quem acompanha séries não tolera esse tipo de acervo pela metade. Não é possível criar o hábito de consumo não-linear de conteúdo se a oferta não é superior ao que está disponível nos meios tradicionais.

Só que uma distribuidora não vai arrumar encrenca com uma Globo da Vida vendendo uma série para ela E para uma Apple por um preço bem mais barato. A Globo vai pedir exclusividade, e manda quem pode obedece quem tem juízo.

Qual a solução para isso? Tempo. Antigamente gravadoras nem queriam saber de música digital. Mais atrás a TV era vista como algo que mataria o cinema, que aliás também seria morto pelo Videocassete. Ele mataria até as emissoras de TV, pois “ninguém mais assistiria comerciais”. A briga chegou até a Suprema Corte dos EUA, que em 1981 decidiu em favor dos fabricantes de videocassetes, no caso Sony vs Universal City.

A parte ruim é que estamos vivendo spoilers, sabemos como a briga terminará mas continuamos prejudicados por gente que se recusa a aceitar o progresso. Felizmente para cada gênio achando que está fazendo vantagem proibindo a veiculação local de uma série, há um desocupado subindo um torrent fresquinho.



Google Currents: quase, mas não totalmente, inteiramente diferente do Flipboard

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

 
A reação Macfag normal é desconsiderar o Google Currents como mais uma das versões kibadas do Flipboard, ignorando-o e mantendo a pureza racial do iPad, mas o que parecem imperfeições são na verdade diferenças de filosofia, e o Currents tem tudo para se tornar uma excelente aplicação nos tablets da vida, lado-a-lado com o Flipboard.
 
O Currents ainda está numa versão preliminar, então é preciso perdoar alguns erros básicos, como a falha na integração com o Google Reader, mas mesmo assim ele já atendem bem a necessidade que se propõe suprir.
 
A idéia aqui é um agregador de informação voltado para conteúdo, não quantidade. As fontes de informação são poucas mas de qualidade. O foco também difere do Flipboard, que essencialmente é um agregador de twitter com recursos para lidar com RSS. O Currents é um agregador de blogs e sites.

 
 
 

Ao contrário da maioria dos agregadores semelhantes há um cuidado na apresentação do conteúdo, mesmo que não haja uma fofoletização da interface como no Flipboard. Só isso já elimina viúvas e órfãs, as grandes vilãs dos layouts automáticos.
 
O Google está pensando alto, a ferramenta já está pronta para lidar com assinaturas e outras formas de venda de conteúdo, embora tudo no momento seja gratuito. 
 

O Currents, claro, é altamente social. O destaque é pro Google+ mas é possível compartilhar o conteúdo nas redes principais, enviar por email, Twitter, etc.
 
Se você é usuário do Flipboard e começar a usa o Currents sem ler este aviso provavelmente irá odiar. É a diferença de filosofia que falei; o Currents é feito para leitura offline. A idéia é que todo dia ele atualize a sua biblioteca de fontes de informação e então, independente de ter 3G ou WIFI, poder acessar aquele conteúdo.
 
O Flipboard dá a ilusão de ter esse recurso, mas ele só cacheia uma pequena parte do conteúdo. o Currents irá baixar tudo. 
 
O preço a pagar é que isso demora, ainda mais se você tiver um link vagaba como o meu. A espera compensa, ainda mais quando você está em um aeroporto sem WIFI e com seu vôo pra lá da ilha de Lost.
 

Por falar em preço, o Currents é gratuito, existe pra IPad e pra tablets Android e há toda uma boa-vontade do Google para quem quiser publicar conteúdo pra ele. Idéia aliás muito recomendada.
 

Links úteis:



Pai Cardoso de iXossi e as Previsões para 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

wm

Brincar de guru de tecnologia não é tarefa simples, a não ser que você queira fazer papel ridículo, como o pessoal que previu fracasso retumbante do Windows 7, iPad, iPod e o modelo de App Store. Mesmo assim há quem tente. Há um padrão, vejamos no Google:

iPhone vai fracassar, e feio , Nintendo Wii? Modinha. , Jogos no iOS? Modinha! , XBox 360? Não vai, ele JÁ fracassou , Windows 7 va fracassar , Windows 8 vai fracassar , Android também vai fracassar e por aí aí.

Para evitar micos assim prefiro me basear em bom-senso, padrões históricos e chutes em direção ao gol, não em direção aonde eu acho que o gol DEVERIA estar. Daí minha previsão do começo de 2010, sobre Retina Display no iPad ser algo tecnicamente complicado e que demoraria MUITO a chegar.

Dito isso, vamos brincar um pouco, antecipando boa parte das manchetes do ano que vem, mostrando que acontecerá na área de tecnologia. Tentarei ser o mais óbvio possível, mas se der certo por favor não me confundam com aquele picareta que falsifica carimbo de correio e prevê tudo que aconteceu no dia anterior. Patrick Jane, acho.

 

Tablets

buziosA Apple lançará um novo tablet, muito provavelmente chamado de iPad 3. Ele terá alta resolução mas não será totalmente Retina Display. Não terá USB, nem entrada para cartões de memória, não terá sintonizador de TV ou FM e só funcionará via iTunes. Será mais rápido que o iPad 2, mais fino e com mais autonomia. Críticos dirão que é só uma atualização, não uma inovação e que não irá vender nada. Ações da Apple cairão 4 ou 5 pontos. Venderá como água.

Uma grande empresa do setor anunciará um iPad Killer, com mais recursos, só um pouco mais pesado e mais grosso, mas nada que comprometa. No papel será um excelente tablet e vários analistas dirão que é o concorrente que a Apple precisa. Só que como foi projetado em 6 meses virá cheio de bugs, com a mesma usabilidade de um tijolo e em 4 meses estará no balcão de saldos.

O Kindle Fire continuará vendendo apesar da unanimidade entre crítica e crítica de que ele é uma bosta.

O Ipad produzido pela Foxconn no Brasil (provavelmente o 1) será lançado no 2o Semestre. Custará o equivalente a um rim e meio, comprometendo mais ainda o mercado de óleo de peroba, já monopolizado pelo Mercadante agora que tem que explicar o preço do iPhone 4 brasileiro depois de tanta promessa de subsídios.

TVs

Os fabricantes, vendo que ninguém dá bola pra 3D tentarão emplacar de novo as Apps, sem perceber que ninguém dá bola para Apps em televisão também. A Apple tentará entrar no mercado com um Macbook disfarçado de TV, custando o dobro do que uma televisão equivalente em tamanho. Descobrirá que os consumidores desse tipo de produto são fundamentalmente diferentes. Venderá muito para geeks, não arranhará o mercado dos fabricantes tradicionais mas gerará rios de dinheiro. Mais ou menos como a relação Windows/OSX.

Banda Larga

tarotNovos testes para uso de tecnologia PLC – Internet via rede elétrica – serão feitas. Um monte de gente lerá a notícia em algum portal e correrá para cancelar a Velox. Mais uma vez não sairá da promessa. Também teremos avanços nas promessas de redes de dados 4G e não se esqueça, o WIMAX vem aí e acabará com nossos problemas de conexão.

Ah sim, a GVT estará em estudos para futuramente pesquisar a viabilidade de quem sabe um dia pensar em incluir meu bairro na sua área de cobertura.

Meu Velox não passará de 2MB. (Essa é fácil, tem uns 5 anos que não disponibilizam mais que isso aqui)

Games

Um pacote de expansão para um grande FPS de temática militar fará bastante sucesso. Terá novos mapas, novas armas e veículos, e provavelmente você poderá jogar como membro de uma unidade de forças especiais.

Gamers sérios (ou serious) baterão pé dizendo que jogos casuais não são jogos, que é preferível vender um jogo de US$10,00 a dez de US$1,00 e que logo a modinha passará e a situação voltará ao normal. Enquanto isso Angry Birds e seus 54532 clones venderão 47 gazilhões de dólares.

Um peitinho vislumbrado em um jogo de zumbis com mutilação, tripas, sangue e canibalismo causará uma comoção. O fabricante pedirá desculpas e soltará um patch, para evitar comprometer a moral das criancinhas, que entenderão que é correto atacar outros com machados, desde que todo mundo esteja vestido.

Um tiroteio em uma escola americana causado por algum nerd psicótico terá uma remota, irrelevante e circunstancial relação com videogames, tipo o cara morar no mesmo bairro que um dos faxineiros da Atari entre 1975 e 1976. Um boicote à indústria será pedido e teremos longos debates onde apresentadores de TV se mostrarão chocados com cenas de Carmageddom e Doom, os dois únicos jogos utilizados para esse tipo de reportagem.

Entretenimento

Várias séries tentarão. CSI com certeza, Bones menos agora que virou Baby Bones (sinistro né?) e talvez House, mas nenhuma conseguirá superar a estupidez desta cena em NCIS:

 

Hackers de TV continuarão a ignorar a existência do mouse. iPads –como em Criminal Minds- aparecerão em cenas desnecessárias cumprindo funções desnecessárias, enquanto isso mesmo com iPhones os protagonistas só usarão seus celulares para falar, e mesmo assim repetindo tudo que o interlocutor diz.

Lei & Ordem passará vários episódios mostrando que, se você tem Internet em casa e crianças com menos de 15 anos, desista. Seus filhos JÁ estão estuprados, seviciados, abusados e barbarizados. Estatisticamente 100% das crianças online são vítimas de um predador. E TODO tarado de Internet é um exímio hacker, como o episódio com uma participação especial de uma atriz famosa mostrará.

A moda de mendigar hashtag pegará de vez. TODO programa agora terá uma tag de Twitter, o que não adiantará nada, cada vez mais assistimos TV de forma assíncrona.

Alguém da Rede TV ou da Record assistirá o episódio de Lei e Ordem acima e fará um programa sobre o tema Perigos da Internet. Luciana Gimenez colocará no palco um pastor, um pai de santo, um psicólogo, um ráquer (mascarado) e um infeliz de um geek jogado de pára-quedas com a única opinião racional sobre o tema e que será quem menos falará.

O History Channel fará um especial de 6 programas tentando provar que a loja de penhores do Rick Harrison é assombrada e que o Chumlee é um alien. No final os resultados serão… inconclusivos.

Por medida de economia o Discovery juntará Caminhando com os Dinossauros e Semana do Tubarão em um programa só, Caminhando com o Megalodonte. O SyFy utilizará como base para mais um daqueles filmes horríveis que a gente adora ver.

A Microsoft anunciará quem em breve a Zune Store chegará no Brasil –sem datas ainda- e futuramente, com filmes e séries. A Apple ampliará o acervo da iTunes Store brasileira de forma impressionante, com o total de músicas e filmes subindo de irrelevante para insignificante.

Telefonia

astrologyRingtones de R$5,00 vendidos para as classes C & D continuarão dando muito mais dinheiro para as operadoras do que seu plano de dados, então boa sorte xingando a Vivo no Twitter.

Depois de redefinir “ilimitado” as operadoras redefinirão “acesso”, quando perceberem que não cobram roaming de dados interestadual. Esse erro será corrigido.

Alguém terá a brilhante idéia de configurar proxies nas operadoras e enfiar propaganda nas páginas acessadas. Como? Já fizeram isso no passado? OK, desconsidere como previsão, leia como deja vu.

O iPhone 4 Made In Brazil só será fabricado inicialmente na versão 8GB e custará no máximo 15% a menos que o importado (não é piada, é um chute baseado em pragmatismo).

Android

O grande trunfo do Android, a personalização atingirá seu auge nos tablets. Até o final de 2012 a relação fabricantes / compradores chegará a 1:1.

Macfags reclamarão que o Android é fragmentado e que as versões mais limitadas dos celulares não rodam direito as Apps. As centenas de milhões de usuários felizes desses celulares perguntarão: “O que é uma App?”

Linux

2012 não será o Ano do Linux no Desktop, mas 2013 tem tudo pra ser.

Windows

A turminha da caveira já está cantando a pedra de que o Windows 8 será um fracasso. Dado o sucesso com que a concorrência tem tirado mercado do Windows, dá para continuarem fracassando igual ao 7 por mais alguns anos. A única forma do Windows fracassar é os tablets se tornarem subitamente rápidos, poderosos e com um sistema muito mais próximo do desktop, e o único sistema de tablet atual que atende esses requisitos é o… Windows 8.

Redes Sociais

kabalaA Apple varrerá discretamente para debaixo do tapete aquela vergonha chamada Ping. Como macfags fingem que a Apple não erra, e AppleHaters dizem que macfags compram, sem discernimento, tudo que a Apple faz, o Ping entrará para a História como mais um sucesso, junto do Newton, do Cube e dos jogos para iPod Classic.

A Microsoft tentará mais uma vez lançar um concorrente do Facebook, mas como todo o mojo da empresa foi usado para criar o Windows Phone, o resultado será um site chato, sem tesão, burocrático e com cara de algo criado por consenso. Sim, será idêntico ao Multiply, que incrivelmente, ainda existe.

O Facebook mudará mais uma vez o layout. Nerds sem vida ameaçarão o Zuckerberg de morte por essa afronta. Enquanto isso a Zynga anunciará outro jogo sem-sentido cheio de personagens com hidrocefalia, onde é impossível perder mas também não se ganha sem gastar dinheiro.

Sites de compra coletiva ainda serão uma excelente forma de arrancar dinheiro de investidores otários, afinal se há espaço pra 1200 deles no Brasil, há espaço pra 1201…

 

Cinema

xenuA entrega do Oscar será chata, longa, todo mundo reclamará que antigamente era melhor. Uma grande atriz será injustiçada em uma das principais categorias. O monólogo de abertura de Billy Crystal será considerado sem-graça por todo mundo que assistir pela Globo com tradução simultânea. O resto do mundo angloparlante irá rir. Chances de nipslip, 0%. Chances de Bieber, 78%. Chances de biber-nipslip: 12%.

Depois de Vingadores, Prometheus e Cavaleiro das Trevas Hollywood procurará desesperadamente por material para filmes de heróis e ficção. Bluntman & Chronic serão considerados mas os preferidos, com scripts em andamento serão os Supergêmeos, Space Ghost, Terra de Gigantes e seja lá o que o Tim Burton esteja querendo produzir.

Hardware

Incêndios, terremotos, maremotos e Godizllas estrategicamente posicionados durante o ano afetarão preço de memórias, HDs e processadores. A Apple comprará a maior parte do estoque mundial de memória flash, cujas fábricas curiosamente não ampliam a produção mesmo sabendo que isso iria acontecer dois anos atrás, quando a encomenda foi feita.

A Intel lançará um novo processador não muito mais rápido, não muito mais eficiente, mais caro mas com uma nova tecnologia de nome bonitinho (MMX que nada, é SandyLeah, LightRod, QuantumAnus, algo assim). A AMD… bem, a AMD não vai fazer nada, já desistiram faz tempo.

virtuallaserkeyboardhan

Aquele teclado-laser para smartphones será redescoberto por um blog nacional e anunciado como a GRANDE novidade do ano (não é previsão, é veneno, aconteceu essa semana) mesmo sendo algo que já era velho desde o começo da década. Sério, em 2001 já era anunciado.

O OLPC sofrerá atrasos, depois será cancelado em prol de uma versão mais avançada com mais recursos que custará US$50,00 e curará malária, ensinará chinês via ondas cerebrais e salvará o mundo das cáries. Essa versão, claro, só sairá em 2013, mas os capangas do OLPC invadirão em horas qualquer site que ouse dizer que o Vaporware do Negroponte é menos que um sucesso monumental.

SSDs – Solid State Disks (afinal seu HD normal é um gel, não?) sairão do patamar pornograficamente caros para estupidamente caros, não que isso o impeça de até a metade do ano fazer uma besteira. Seu bolso odiará mas seu notebook adorará.

 

Previsões sobre Previsões

Em 2012 cientistas os jornais descobrirão:

  • Uma nova droga potencialmente útil para tratamento de (câncer/AIDS/diabetes/Aquele negócio que o Stephen Hawking tem)
  • Uma tecnologia que pode tornar os computadores 10x mais rápidos, 10x mais econômicos e que não chegará a lugar nenhum, como a tecnologia idêntica anunciada ano passado.
  • Uma forma revolucionária de geração de energia que só não tornará o mundo livre dos combustíveis fósseis por causa de uma conspiração envolvendo custo altíssimo, impossibilidade de funcionar em larga escala e uma direta violação das Leis da Termodinâmica.
  • Um pedaço de cocô jogado para o alto e fotografado será confundido com um Disco Voador (Vênus, Aviões, a Lua, todos já foram usados). Um artista da Globo trabalhando para a Record dará uma longa entrevista sobre as implicações esotéricas daquele evento.

Choverá em Finados. Sempre chove em Finados.

Videntes irão prever vários acidentes aéreos, como fazem todo ano. Mesmo ignorando a quantidade de pousos e decolagens diários, o último acidente em solo brasileiro foi em 2007, com a TAM e na maior boa-vontade incluindo o AF447 da Air France em 2009, a quantidade de acidentes graves é mínima. Mesmo assim é muito mais dramático prever desastre do que prever que nada acontecerá, mesmo que seja estatisticamente muito mais provável.

Um terremoto de +7 atingirá uma região povoada. Gente que ignora estatísticas apontará para o (inexistente) aumento de terremotos fortes e tentará associar a todo tipo de fenômeno natural, inclusive a GENIAL teoria de que… terremotos causam terremotos (sério, eu li isso, teoristas conspiratórios nunca tinham ouvido falar de aftershocks).

Conclusão

2012 será um ano com várias surpresas mas muito do que acontecerá pode ser previsto usando apenas (e somente) bom-senso. E não há mais bom-senso do que parar se se preocupar em prever o futuro.

Nas palavras de Alan Kay, “A melhor forma de prever o futuro é o inventando”. Qual será o melhor jogo de iPhone de 2012? Não sei, mas se você não se coçar e começar a trabalhar, garanto que não será o seu. Nem o melhor blog, nem o melhor romance nem a melhor idéia.

Há 10 tipos de pessoas no mundo. Um são os doidos, os desajustados, os encrenqueiros, as peças redondas em buracos quadros, os que vêem o mundo de forma diferente, que não ligam para regras e não têm respeito pela autoridade. Eles mudam o Mundo. Eles empurram a Humanidade pra frente.

O outro tipo é o que fica sentado esperando de bandeja que alguém faça alguma coisa, que alguém resolva seus problemas. Essa gente não muda nada e ainda por cima não sabe binário.

A esses não adianta desejar Feliz 2012. Eles sequer se preocupam com a (inexistente) profecia Maia. Para eles o mundo já acabou faz tempo.

Se não é o seu caso, parabéns. Você é a Resistência!



Steve Jobs, a biografia [Resenha]

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Começar uma resenha da biografia de Steve Jobs com o termo “contraditório” é mais que cliché. Mesmo cliché, é a palavra perfeita para definir em uma única palavra a personalidade e os atos do homem que ajudou a dar forma à indústria de computadores, celulares e equipamentos eletrônicos em geral. Se bem que “criança mimada” também seria uma ótima definição, e aí teríamos duas palavras ao invés de uma e não seria assim tão educado, mas me adianto.

O livro escrito por Walter Isaacson a pedido do próprio Jobs, quando este sentiu seus últimos dias se aproximando com uma rapidez assustadora, é detalhista e preocupado em mostrar todos os múltiplos lados, cobrindo vida pessoal e profissional de forma respeitosa. Obviamente não se trata de um livro imparcial – nenhuma obra o é -, mas é um belo trabalho de jornalismo, dando créditos a quem merece, com inúmeras fontes e escrito com base em diversas entrevistas realizadas com mais de cem pessoas, entre familiares, amigos, colegas de trabalho e até gente que não queria ver Jobs nem morto. Too soon?

O próprio Jobs se encarregou pessoalmente de arranjar os contatos dessa gente toda, inclusive dos desafetos, e ainda disse à Isaacson que podia escrever o que bem entendesse, abriu as portas de sua fábrica de segredos em Palo Alto, e falou que confiava no trabalho e competência do biógrafo, que já escreveu sobre Einstein e Franklin. Pelo visto, Jobs pediu para que o biografasse porque se achava o próximo na linha de sucessão desses grandes homens. Risos.

A obra inicia contando as origens de Steve, a história de seus pais biológicos, e sua infância de baby boomer com seus pais adotivos buscando o sonho americano na Califórnia. O mimado protagonista, que cresceu entre os carros antigos que seu bondoso pai reformava e os clubes de eletrônica onde conheceu pessoas-chave em sua história, batia o pé para conseguir dos pais o que quisesse, desde seguir sua maluca dieta vegetariana até estudar numa faculdade bacana e cara. Desde cedo, a forte personalidade – ou marra, como dizem os colegas cariocas, ou falta de educação, ou ainda sociopatia aguda, uma vez que todos os sintomas estão ali – já estava presente no garoto.

Apesar, e talvez até por causa disso, Jobs conseguiu que suas equipes criassem produtos incríveis, mesmo que isso significasse atrasos gigantescos no cronograma e prejuízos futuros. É especialmente notável o episódio do desenvolvimento e lançamento do Macintosh, onde as três equipes que trabalhavam na Apple no início dos anos 80 (do Lisa, do Mac e do Apple II) ostentavam camisetas com provocações umas às outras.

Em certos trechos, a vontade era de entrar no livro e pessoalmente estapear Jobs, que por vezes parecia nada mais que um hippie pé-sujo que explorava as vulnerabilidades das pessoas de quem não gostava (e até das que gostava) por nada. Ele até literalmente chorava como um garotinho mimado para conseguir o que queria. Sempre que alguém o contrariava, eu vibrava. E olha que sou macfag de carteirinha.

Para Jobs, o mundo não tinha nuances, e era divido entre gênios e incompetentes. Quando se deparava com alguém que julgasse inferior, as humilhações eram de deixar o cara chorando num cantinho escuro balançando a cabeça e gemendo. Mas quando encontrava um gênio, espremia as pessoas e buscava todo o seu talento e exibia seu potencial com resultados palpáveis. Completamente alheio aos sentimentos dos outros, é até incrível que Jobs tenha se cercado de tanta gente bacana. Mas seus companheiros fiéis acabaram por aprender a lidar com isso, ainda que um conformado Jonathan Ive tenha se mostrado um tanto magoado pela mania do chefe de levar crédito pelo que não fez.

Apesar da rabugice, Jobs era mesmo muito talentoso e obstinado em fazer apostas arriscadas que acabavam acertando de modos que nem ele mesmo tinha previsto inicialmente, abrindo caminhos para mercados e possibilidades não exploradas na indústria. E fazia tudo como se fosse salvar o mundo, com verdadeira paixão. E provavelmente seria assim com qualquer coisa que se propusesse a fazer na vida. Certamente fará falta.

O livro, escrito e enviado à editora antes da morte de Jobs, termina de modo melancólico e bastante reflexivo a respeito da vida e da morte. A expansão prometida por Isaacson é talvez desnecessária, pois sua cobertura será de apenas mais alguns meses, visto que ele narra fatos acontecidos até o meio do presente ano. Mesmo não indo até o fim propriamente dito da vida de Steve, dá uma ampla cobertura dos dramas vividos pelo ex-CEO, em parte auto-infligidos por conta de seus distúrbios alimentares agravados por suas crenças, e até pelo próprio Campo de Distorção da Realidade. Resta saber se essa atualização vai ser incremental ou teremos de comprá-la novamente. Espero que seja por 99 centavos de dólar.

Sobre a edição brasileira

Em resumo: leia no original. A morte de Jobs fez com que a editora apressasse o trabalho dos três traduttori traditori à base de chicotadas e traduções automáticas, porque somente isso explica os erros grosseiros cometidos pela trupe. Chegar ao ponto de traduzir “smartphone” como “celular inteligente” e “iCEO” como “iPresidente executivo” é absurdo. Ou ainda, que Jobs comprou uma casa “adequada” – o que não faz o menor sentido em português e poderia ser feito de outro jeito sem perder o significado. Dá vontade fazer o Jobs e chamar todo mundo de incompetente. Botaram três negos pra traduzir o calhamaço mais depressa mas não se deram ao trabalho de botar um nerd macfag pra revisar.

Em outro trecho, admito que ficou bacana: conta-se de uma festa à fantasia em que Jobs se vestiu de Jesus, o que causou “incredulidade”. Não sei se a esperteza foi do autor ou dos tradutores, porque se foi desses últimos, é muito provável que não tenha sido proposital.

Nem adianta dizer que o certo é ler em inglês porque nossa língua corrompe o sentido original; a esses digo que vão lá ler Sun Tzu ou Dostoievski. Não se trata de uma obra para os anais da literatura mundial, e sim de uma biografia recheada de termos técnicos e difíceis para os prováveis leitores noobs que o livro atrai, e que, se não corretamente traduzidos (como aconteceu aqui) podem levar o incauto leitor ao engano ou à completa incompreensão do texto. Traduzir, assim como escrever, é uma arte para poucos.